domingo, 16 de outubro de 2011

Dar aula torna-se segunda ou até terceira carreira para americanos


The New York Times: Dar aula torna-se segunda ou até terceira carreira para americanos

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Barry Ostrer, que trabalhou 32 anos na IBM, começou a dar aulas de matemática este mês. Com sua experiência, ele pretende ajudar os alunos a "superar a ansiedade" diante da matéria
Aos 65, Walt Patteson tem duas carreiras nas costas e está apreciando sua terceira, de professor de química. Ele é um dos muitos americanos em idade de aposentadoria que estão encontrando novos usos para seus saberes ao decidirem ensinar.
Enquanto a geração do “baby boom” alcança a idade da aposentadoria, alguns vislumbram uma nova carreira e ingressam em escolas públicas ou em programas privados ou aprovados pelo Estado para converterem sua experiência profissional de forma que sirva em sala de aula. Nem mesmo as recentes críticas públicas aos professores ou os cortes dos orçamentos escolares impediram os aposentados de buscarem credenciais para ensinar –e encontrarem empregos, especialmente nas áreas de matemática, ciências e educação especial.
Muitos passam a lecionar mais tarde na vida porque desejam um desafio. Alguns querem fazer o bem ou manterem-se ativos. Outros precisam de uma renda ou suplementação para sua aposentadoria. E alguns, como Patteson, precisam de um empurrãozinho para explorarem a ideia.
“Minha mulher me disse que não ia continuar trabalhando enquanto eu fosse jogar golfe todos os dias”, disse Patteson.
Após dez anos na Marinha, onde era piloto, ele voltou para casa para ajudar a administrar a fazenda da família em Tracy, Califórnia. Duas décadas depois, em 1999, a fazenda foi vendida, Patteson tinha apenas 53 anos e queria fazer algo voltado para a comunidade.
O piloto tinha sido membro do conselho da escola local e ouviu falar de uma vaga em um colégio de ensino médio próximo, West High School, para ensinar ciências. Assim, decidiu aproveitar sua formação em ciências e matemática para se tornar professor. Ele participou de um dos 70 programas alternativos de preparação de professores da Califórnia. Passou por uma prova para medir seu conhecimento de química, depois fez aulas e deu aulas, recebendo as credenciais do Estado para ensinar química em 2004.
Assim como a Califórnia, onde os programas de ensino alternativo são agrupados sob o California Teacher Corps, todos os 50 Estados permitem que aspirantes a professores dispensem uma graduação tradicional em licenciatura e peguem um caminho mais curto até as salas de aula, usando o conhecimento adquirido na faculdade e em suas carreiras.
Apesar de não haver uma contagem oficial de educadores com mais de 50 anos, o Centro Nacional para Informação em Educação publicou o “Perfil dos Professores nos EUA em 2011”, no qual concluiu que 54.000 novos professores contratados, ou cerca de um terço do total, no ano escolar de 2007-8 tinham “ingressado tardiamente”, ou seja, eram pessoas com diploma de terceiro grau que não começaram a lecionar logo após a faculdade.
Apesar de a economia combalida ter significado menos aposentadorias de professores do que se esperava, muitos distritos escolares ainda têm vagas para professores de matemática, ciências, educação especial e inglês como segunda língua. Até o final da década, 440.000 novos professores de ensino fundamental e médio serão necessários, enquanto o número total de professores alcança mais de 4 milhões, como projetado pelo Centro Nacional de Estatísticas da Educação, parte do Departamento de Educação.
Muitas vagas serão em ciências e matemática. De acordo com um estudo de 2007, as escolas públicas vão precisar de mais 280.000 novos professores de matemática e ciências em 2015, especialmente nos distritos de baixa renda. O relatório foi desenvolvido pelo Fórum Empresarial de Educação Superior, grupo nacional de empresas e executivos da educação superior.
Entre os sites disponíveis para guiar pessoas mais velhas em busca de mudança de carreira, existe o Teach.gov, lançado pelo Departamento de Educação no ano passado. O site de recrutamento de professores lista os programas de certificação alternativos de cada Estado, além de informações sobre ajuda financeira, distritos escolares, licenciamento e certificação.
O Teach.gov também lista as vagas para ensino elementar e médio –neste mês, havia 663 no país, a maior parte em educação especial e pré-escolar. O recurso também lista os três Estados que mais estão contratando hoje: Massachusetts, Carolina do Sul e Illinois.
“Há uma oportunidade incrível aqui para os que estão buscando uma nova carreira”, disse Brad Jupp, assessor do secretário de educação, Arne Duncan, que ajudou a montar o site.
Algumas pessoas em busca da segunda ou mesmo da terceira carreira estão sendo licenciadas para ensinar em cursos de faculdades comunitárias. A Civic Ventures,  organização de San Francisco voltada para a geração do “baby boom”, e a MetLife Foundation recentemente deram uma bolsa de US$ 25.000 (em torno de R$ 42.000) para 25 faculdades públicas com programas que estimulassem as pessoas de 50 anos ou mais a se tornarem professoras.
O Harold Washington College, em Chicago, usou sua bolsa com publicidade no programa da Sinfonia de Chicago e da Ópera Lírica. A ideia era atrair pessoas com mais de 50 anos com mestrado para ingressarem em seu programa e aprender como se tornar professor adjunto.
“Contratamos 250 instrutores por ano; ciências e matemática realmente são as mais cotadas”, disse John Hader, um dos diretores do colégio. “Escolhemos 55 inscritos que se qualificaram nessas áreas e ensinamos a eles como administrar uma sala de aula, como avaliar os níveis de aprendizado dos alunos, como usar tecnologia educacional e estimular o aprendizado ativo.”
Algumas empresas ajudam a pagar pelos cursos profissionalizantes. Barry Ostrer, que passou 32 anos na IBM em White Plains, Nova York, aproveitou o programa de Transição ao Ensino, que dá até US$ 15.000 (R$ 25.000) para funcionários que desejam ingressar em uma carreira em educação.
Ostrer começou sua segunda carreira este mês, ensinando matemática para a quinta série em uma escola privada em Englewood, Nova Jersey. Ele se bacharelou em matemática na Tufts e recobrou seu interesse no assunto enquanto ajudava filhos de amigos.
Em seis anos, fazendo uma ou duas aulas por período, ele concluiu seu mestrado em licenciatura no Manhattanville College, em Purchase, em 2010.
“Esta é uma forma de eu ajudar os alunos a superar a ansiedade diante da matemática”, disse Ostrer, 54, que trabalhou para a IBM com programação e vendas e como contato com analistas da indústria. “Sou jovem demais para não fazer nada”.
O ensino oferece outras recompensas, disse Patteson. Seus alunos e colegas deram-lhe apoio quando sua mulher adoeceu e morreu em 2008, disse ele. Enquanto puder trabalhar, não está pensando em se aposentar de sua terceira carreira.
“É como ter 150 netos”, disse ele. “Eles falam sobre coisas que nunca falariam com seus pais. Você pode discipliná-los, dar bronca, brincar e motivá-los de um jeito que eles não aceitariam se viesse de outra pessoa.”

Sites americanos que ajudam na decisão de ensinar:

O Teach.gov é um site do Departamento de Estado que lista, por Estado, programas de certificação alternativos; dá informações sobre assistência financeira, sobre os distritos escolares e sobre a certificação, assim como vagas para professores em cada Estado.
TheApple.monster.com é um guia de programas alternativos para apressar a certificação de pessoas que têm graduação mas não têm experiência com ensino e para encontrar áreas com falta de professores.
AllEducationSchoools.com traz informações sobre assuntos como ciências e links para saber sobre como se certificar.
O Teachers-Teachers.com lista empregos para professores, administradores e outros.
O Encore.org, site do Civic Ventures, fornece informações sobre uma segunda carreira, inclusive links para sites com oportunidades de trabalho e de formação e formas de se conectar com pessoas e grupos envolvidos em suas segundas ou terceiras carreiras.
O Cateacher.org, site do corpo de professores da Califórnia, ajuda a encontrar 70 cursos preparatórios.
O Alt-teachercert.org, Associação Nacional de Certificação Alternativa, fornece informações para a preparação de educadores.
O Abcte.org, do Conselho Americano para Certificação de Excelência do Professor, tem informações sobre como encontrar, preparar e certificar professores.
O Ncei.com, site do Centro Nacional de Informações em Educação, fornece um perfil dos professores dos EUA e links para informações sobre cursos preparatórios, certificação e licenciamento.
Fonte: The New York Times - Elizabeth Olson

Uma nova carreira após a aposentadoria


publicado em 04/04/2011 às 04h50.

Uma nova carreira após a aposentadoria

O trabalho ajuda os mais velhos a manterem suas mentes e corpos ativos, proporcionando interação social e ajudando-os a encontrar, assim, um novo sentido para a vida

Da Redação

A expectativa de vida hoje em dia é muito maior do que há alguns anos. Por conta disso, as pessoas aposentadas vivem mais e a tendência é que isso continue evoluindo. Muitos profissionais quando se aposentam ainda estão com pleno vigor, energia e capacidade para continuar produzindo, o que é considerado bastante salutar.
Apesar de existir um mercado de lazer para a terceira idade, com produtos e serviços destinados a essa fatia crescente da população, o trabalho contínuo é bem visto, pois traz benefícios durante os anos de aposentadoria, podendo acrescentar mais de uma década de vida.
“Alguns estudos demonstram que homens e mulheres que continuam a trabalhar depois de aposentados têm mais chances de se manterem saudáveis e lúcidos. Aqueles que se mantiverem trabalhando após os 70 anos terão quase três vezes mais chances de estar vivos aos 85 anos do que aqueles que pararem de trabalhar”, ressalta Edson Rodriguez, especialista em gestão comportamental e profissional. 
O fim de uma vida produtiva não está mais associado ao fato da aposentadoria. Hoje, esse momento é considerado um ponto de transição para uma nova fase. “O trabalho ajuda os mais velhos a manterem suas mentes e corpos ativos, proporcionando interação social e ajudando-os a encontrar, assim, um novo sentido para a vida – além de ser um período muito interessante para o indivíduo dedicar-se àquilo que ele realmente gosta de fazer”, afirma o gestor.
Segundo ele, poucos se preparam para esse momento em que a pessoa irá lidar com transformações da rotina diária e com a escolha do que fazer para ocupar o tempo que ficará disponível.
No livro “O Poder da Idade”, o autor Ken Dychtwald, fala que isso costuma ocorrer com os profissionais por volta dos 50 e 70 anos, o que pode levar, inclusive, a enfrentar um período de grandes frustrações ou ansiedade, principalmente por aquelas pessoas que exercem atividades específicas. Nesses casos, como não veem uma continuidade pós-aposentadoria, elas se perguntam o que será de suas vidas daquele momento em diante.
“Imaginemos alguém que trabalhou 35 anos em áreas fabris, desde aprendiz de oficial torneiro até chegar a gerente de turno na aposentadoria. Aí, ele passou por um teste de perfil e descobriu que tem uma grande aptidão para áreas de comunicação e marketing, além de um gosto muito grande por viagens e novidades. Assim, com 55 anos, ele se decidiu por uma atividade como guia turístico, na qual irá lidar com pessoas. Essa é a sua nova carreira, e com o vigor que ele ainda tem, provavelmente poderá exercê-la por uns 15 anos ainda”, destaca Rodriguez.
Apesar de ser apenas um exemplo, isso serve de modelo para as pessoas que querem desenvolver uma segunda carreira, após se aposentar. O planejamento, nesse caso, deve ter como foco as questões financeiras. Muita gente pode superestimar a quantidade de dinheiro que precisa, já que vários estudos demonstram que as pessoas geralmente gastam muito menos com a idade.
Independentemente disso, vale à pena fazer um planejamento financeiro estabelecendo objetivos de vida bem definidos e devidamente programados, principalmente na segunda fase da carreira, quando se espera que o indivíduo trabalhe no que realmente gosta, sem deixar de ter mais tempo livre para si.
Conselhos úteis
Abaixo, Edson Rodriguez cita alguns conselhos úteis para aqueles que estão chegando aos 50 anos e que querem se preparar para enfrentar esse período de transição:
– Persiga suas paixões. Pergunte-se do que você gosta realmente. Faça testes, descubra suas aptidões e o que você pode fazer que talvez nunca tenha feito;
– Experimente mais a natureza;
– Leia livros de assuntos diferentes e aumente seus horizontes;
– Viaje para lugares fora do circuito turístico;
– Tenha fé;
– Tenha muitos amigos;
– Cuide da sua saúde;
– Desfaça qualquer mal entendido entre amigos e parentes e, se valer a pena, resgate-os;
– Ouça música, vá ao teatro, ao cinema, divirta-se;
– Pratique sempre aquela frase da música de Frank Sinatra: “The best is yet to come”, ou seja, “O melhor ainda está por vir”, sempre.

Nova carreira após a aposentadoria


Nova carreira após a aposentadoria

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Por: Prisca Fontes 12/06/2011

Investir em um antigo sonho é uma boa saída para a nova fase

A aposentadoria marca o tão sonhado fim de uma vida árdua de trabalho. Mas, em vez de descanso, a aposentadoria pode significar o começo de uma nova carreira. Sem a pressão de trabalhar e ganhar um salário para sustentar a família, muitas pessoas têm uma nova chance de se dedicar às verdadeiras paixões.
O bancário Isaac Porto de Magalhães, de 72 anos, decidiu que não iria parar após se aposentar. Ele continuou no banco por mais quatro anos após ter recebido o benefício e depois que saiu da empresa investiu em um desejo antigo: se dedicar à área da saúde.
“A maioria das pessoas depois dos 60 anos acha que são inválidas. Enquanto estiver respirando, a pessoa deve correr atrás dos seus objetivos. As pessoas não devem se acomodar, ficar sedentárias. O sedentarismo é um atraso de vida para o idoso”, diz.
Isaac prestou vestibular e foi aprovado no curso de Fisioterapia do Centro Universitário Plínio Leite (Unipli). Ele conta que quando foi verificar a classificação na prova, encontrou uma senhora que estava vendo a colocação da filha. A mulher ficou surpresa quando descobriu que ele estava pesquisando a própria classificação. O aposentado garante que a idade não é um empecilho e sim a oportunidade de realizar um sonho.
“Quando ainda era bancário, fiz curso técnico de enfermagem e raio-X, mas nunca pude exercer a profissão devido ao expediente do trabalho no banco. Quando me aposentei, fiz vestibular para Fisioterapia. Não queria perder tempo em casa, ficar sem fazer nada. O campo da saúde possui muitos mistérios. A cada aula aprendemos coisas novas, para mim é um prazer”, completa Isaac, que não descarta a possibilidade de abrir um consultório quando concluir o curso.
Segundo Fátima Vasconcellos, psiquiatra coordenadora do departamento de psicoterapia da Associação Brasileira de Psiquiatria e presidente da Associação de Psiquiatria do Rio de Janeiro, a melhor vacina contra as doenças do envelhecimento é: ocupação, amigos e projetos.
“Envelhecer não é a mesma coisa que adoecer, nosso cérebro é plástico e se nos mantivermos interessados e ocupados ele se mantém saudável. Se o idoso se entregar a uma vida sedentária após a aposentadoria pode se tornar infeliz e desencadear uma série de doenças. A aposentadoria deve ser algo positivo, uma época de possibilidades, de se manter ocupado, se sentir útil”, recomenda.
Mas, se a pessoa não quer permanecer no mercado, ela sugere que procure algo que dê satisfação, como trabalho voluntário, encontrar os amigos, praticar atividade física e viajar.

O FLUMINENSE

Empresas treinam executivos para a aposentadoria


Empresas treinam executivos para a aposentadoria

Para especialistas, debater o tema abertamente é uma arma poderosa na hora de formar sucessores em grandes companhias

15 de dezembro de 2010 | 23h 00

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Parece cena de filme: no dia da aposentadoria, em uma festa com colegas, o personagem principal sorri, mas esconde o medo do que virá. Uma pergunta fica no ar: após tantos anos na empresa, o que fazer com o tempo livre? É essa questão que consultorias ajudam executivos a responder pelo menos dois anos antes do último dia de trabalho. A conclusão é que existe vida inteligente depois da aposentadoria, incluindo novos rumos profissionais.
Segundo Caroline Pfeiffer Marinho, diretora da consultoria DBM, o objetivo dessas iniciativas é que o executivo reflita sobre o que conquistou nas últimas décadas e defina o que pretende fazer na nova fase. Geralmente, diz ela, a carreira continua, mas migra para atividades como consultoria, vida acadêmica e trabalho voluntário. "É uma forma de fazer a pessoa buscar alternativas com base na própria experiência. O importante é fazer escolhas livres e evitar ficar preso a possibilidades de alguma forma relacionadas à empresa."
Algumas companhias iniciam a preparação do funcionário para uma nova configuração profissional bem antes da hora da aposentadoria. Para formar sucessores com tranquilidade, a alemã Basf desenvolveu o programa Vida na Maturidade, direcionado a profissionais acima de 50 anos. "A ideia é mostrar que existe vida fora da Basf e de qualquer organização", diz Wagner Brunini, vice-presidente de RH da empresa. "Não queremos ensinar ninguém a vestir pijama, mas sim dar ferramentas de reflexão para uma fase pós-Basf."
Segundo Brunini, encarar o tema ajuda muito na formação dos sucessores, já que a equipe é toda envolvida no debate. "Eu só preparo alguém para me substituir com qualidade se estou bem comigo mesmo", afirma o executivo. A partir dos resultados obtidos nos últimos dois anos, Brunini quer estender a iniciativa para a América do Sul. "Embora a Basf tenha diversas práticas globais, não tenho notícia de projeto parecido em outro lugar. É algo que desenvolvemos localmente", explica.
Últimos dias
O vice-presidente da Basf para a América do Sul, Fernando Figueiredo, encerra amanhã 32 anos de atividade na companhia. No conglomerado alemão, já passou pelas áreas jurídica, de comunicação e foi diretor de RH. Há exatos dois anos, foi comunicado pela matriz alemã que teria de deixar a companhia. Não foi surpresa: há três décadas na Basf, ele sabia que os executivos de alto escalão são desligados ao completar 60 anos – Figueiredo teve mais de um ano de "prorrogação".
Apesar de ter sido um dos capitães da ideia do programa de preparação para a aposentadoria na Basf, o executivo admite que "cabulou" as atividades individuais e em grupo. Criou seu próprio método de desligamento: ao longo de 2010, mergulhou em um programa de MBA da Federação Paulista de Futebol (FPF), com o objetivo de ajudar na empresa de marketing esportivo criada pelo filho. Palmeirense roxo, Figueiredo priorizou uma atividade que lhe desse prazer.
Graças ao plano de previdência angariado em 32 anos de Basf, o executivo agora pode se dar ao luxo de escolher uma nova atividade com calma. No curto prazo, a principal meta é aproveitar a vida. "Vou para Salvador no dia 25 e volto em 15 de janeiro", diz. Ele planeja uma grande viagem com a esposa ainda no primeiro semestre de 2011: "Ela gosta muito de tênis. Vamos assistir às rodadas finais de Roland Garros, visitar amigos pela Europa e pegar o início de Wimbledon."

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Professora nota mil


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Aos 79 anos, ela é poderosa. "Acho horrível quando me pedem para levantar a perninha, o bracinho. Eu não sou nenê - sou um adulto", ressalta a gerontóloga Nara Rodrigues. Determinada que é, também não gosta de cerimônia. "Não me chame de senhora. Me chame de Nara, de você, de tu", diz ela.Num país com 20 milhões de aposentados, Nara é quase uma exceção. Não se conformou com os limites impostos pelo tempo e a idade e decidiu ser dona do seu futuro. Não abriu mão da independência nem de uma vida ativa.
Nara não pára nunca. Lê as noticias do dia, responde e-mails e acerta o cardápio com Edith, a aposentada de 67 anos que ajuda nas tarefas do dia-a-dia. "A Edith é mulher faz-tudo!", ressalta a patroa.
Mas a manhã só fica completa quando fala com a filha. Mesmo aos 61 anos, Jaura, que mora em Brasília, ainda tem conselhos para ouvir da mãe. E dar conselhos é uma das tarefas mais importantes na vida de Nara. A jornada começa com visitas a bairros carentes de Porto Alegre. Ela trabalha como voluntária em associações e centros de assistência. É tratada como autoridade.
A preocupação dela é ajudar as pessoas a se preparar melhor para uma fase muito especial da vida. "O fato de me aposentar não significa que a minha vida terminou. Aposentadoria nos afasta da vida do trabalho, mas a vida da gente continua", anuncia aos espectadores.
A aposentadoria é como uma encruzilhada. Começa um novo período, como muitos na vida. Dependendo do caminho que se escolhe, pode ser de tristeza e melancolia ou alegre e cheio de surpresas. Aposentados felizes garantem que a escolha vai depender daquilo que foi planejado muito antes de chegar lá.
Nara sempre fez planos. Se aposentou como assistente social em 1977, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Foi para a França se especializar em gerontologia, que estuda o processo do envelhecimento. Em 1989, ano em que o país voltou a ter eleição direta para presidente, fez mestrado na Espanha. Tinha 64 anos.
Para ela, a idade é muito mais uma questão de estado de espírito. Tanto é que a energia de Nara faz com que ela se sinta mais uma entre seus jovens alunos do curso de medicina. A gerontóloga conta como se sente um velho. E questiona: os médicos sabem tratá-lo?
"A aula dela não se encontra em literatura nenhuma, em livro nenhum. Cada aula é única", comenta Aníbal Nogueira, aluno de Nara.
Experiências únicas que Nara está transformando em livro. Uma obra em parceria com o geriatra Newton Terra, que trata dela há mais de 20 anos.
"Nara é o exemplo de um envelhecimento bem-sucedido. Aquela pessoa que está envelhecendo social e intelectualmente ativa, com uma atividade laboral, uma saúde física e mental boas", avalia o médico.
Através das páginas ela quer dar um recado: o segredo da aposentadoria feliz é não ficar parado. "Faça em função da sua saúde mental para não se deprimir nem ficar solitário", aconselha.
Os olhos não escondem os sinais do tempo, mas é só reparar no jeitinho que ela anda – passos firmes – para ter certeza: lá vai Nara, sempre em frente, curiosa para descobrir mais sobre a vida.


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Aposentados ativos


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Não há um só ponto da face que não denuncie que a idade chegou. "Normalmente é a parte física que mais complica. Você não enxerga bem, quando se esforça muito as juntas ficam doendo", comenta o maître aposentado Riomar de Paiva Borges. Mas esses sintomas passaram quase em branco para seu Riomar. A constatação de que tinha envelhecido chegou de repente."Passei quase 70 anos sem perceber que tinha envelhecido. Eu não acho nada mal envelhecer, só tenho bronca é de desaparecer. Você não sabe de onde veio, nem para onde vai. Na minha concepção, a velhice traz essa coisa estranha de desaperecer", diz ele.
Mas seu Riomar, que tem medo de morrer, não teme a vida. E desde cedo ela ensinou muito a este nordestino cheio de garra. Foi garçom, maître, servente, faxineiro, motorista, comerciante. Estudou inglês e francês.
"Quando cheguei do Nordeste, meus colegas e eu fomos trabalhar na obra carregando balde de massa, limpando chão. Mas eu limpava chão de manhã e estudava à noite. Não podia estar limpando chão, não me acomodei", conta.
O temperamento não era o de um espectador. E, além do mais, ele precisava aumentar a renda de R$ 1,5 mil de aposentadoria. "Eu não sei ficar parado. Já pensou ficar dentro de casa, sentado na varanda. Até cheguei a botar cadeira de balanço", conta seu Riomar.
Cadeira de balanço e tricô também não tiveram espaço na vida de da publicitária aposentada Malu Soares. "Está louco? Não nasci para isso não. Esse negócio de trabalhos manuais não é comigo", diz ela. Para quem deu duro desde os 14 anos de idade, era difícil mesmo desacelerar.A paraibana de 62 anos, aposentada aos 49 como publicitária, continuou em atividade por mais nove anos. Quando o mercado de trabalho fechou as portas para ela, ainda se sentia útil. A renda caiu de dez para três salários-mínimos.
A aposentadoria trouxe doenças e um novo sentido para uma palavra sempre ligada a excessos. "Eu pensava que estresse era de quem trabalhava demais. Ele (o médico) disse que são as duas coisas. Eu havia parado de uma vez por todas e meu organismo não se acostumou com isso. Então, fiquei estressada", conta dona Malu.
Dona Malu e seu Riomar, conterrâneos, nem se conhecem. Mas fazem parte de um grupo de milhões de brasileiros que têm um desafio: provar que ainda é cedo para cruzar os braços. Aposentados obrigados a criar uma receita própria para conciliar tempo livre com dinheiro curto.
A fórmula de seu Riomar é seguir em frente, sem escolher serviço. E, aos 77 anos, lá vai o "office-velho". Ou melhor, "office-old", como ele mesmo se orgulha de ser chamado. De ônibus, a pé. Um banco, outro, mais um... E assim ele consegue dobrar os rendimentos no fim do mês. E faz planos com a disposição de um adolescente. "Se com 100 anos eu estiver como estou hoje, vou parar. Porque acho um absurdo um cara com 100 anos ficar trabalhando na rua", anuncia.
O mesmo sentimento de dona Malu. "Eu mentalizei que vou morrer com mais de 100 anos. Com certeza, até os 90 eu vou trabalhar. E ainda vou ter dez anos para usufruir", planeja.
O estresse foi embora quando começaram as aulas na Universidade da Terceira Idade. O curso? Recepcionista. A escola? Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Homens e mulheres se preparam para voltar ao mercado de trabalho. As técnicas quebram a timidez.
"Assim que você se aposenta fica contente por estar em casa. Mas com o decorrer do tempo fica faltando atividade, relacionamentos, trabalho, profissionalismo", diz a administradora aposentada Sônia Maria Farrula.
"Acho isso uma injustiça, quando a gente tem toda uma gama de experiência e pode ensinar muito", comenta o vendedor aposentado Aluísio Canno.
Dona Malu foi a primeira. Conseguiu emprego como corretora de imóveis. Quem duvida que ela vai conseguir o que queria? "Tudo que a gente coloca na mente acontece. Se você botar que tem doença, vai morrer logo. Se você disser que é saudável, vai chegar aos 90 anos, com alto astral e bem de vida. Adeus, estresse", aconselha ela.
Um novo ritmo. Movimento durante a aposentadoria. Conselho de quem já viveu muito e encontrou um caminho. Não importa a fórmula: para cada aposentado, uma descoberta.
Há 16 anos uma galeria na Penha, no subúrbio do Rio, ganhou um novo zelador, um aposentado como tantos outros que continuam trabalhando para aumentar a renda. Mas não era só isso. Marcelino Calixto Jr. era também um cantador. E perto dos 80 anos de idade, é ele quem espanta toda a tristeza do lugar.Saúde frágil, muito remédio para comprar e um salário-mínimo no fim do mês. A faxina surgiu como única opção para este ex-metalúrgico continuar se sustentando. Cada loja paga R$ 20 pela limpeza. A serenata? Bem, essa sai de graça. "No mundo em que estamos, não podemos ficar pensando. Temos que levar o barco", diz o aposentado.A galeria pára para ouvir seu Marcelino. Ou será Jamelão? O apelido é mais uma referência carinhosa ao velho sambista da Mangueira. "Acho muito bom cantar, me faz viver mais um pouco", diz ele. Chão, corrimão, escada – tudo brilha ao som de Lupicínio Rodrigues.

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Prêmio ou castigo?


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"Eu não gosto da palavra aposentada porque é muito forte, parece que a pessoa é um traste, está encostada. Eu não me sinto assim", diz a bancária aposentada Letícia Alves."Colegas meus disseram para eu não me aposentar porque eu ficaria triste, iria me entediar, ficaria doente até morreria", conta o delegado aposentado Joaquim Nogueira.
"É o pior remédio que existe na face da Terra", reclama o técnico em informática aposentado Lázaro de Lima.
"Hoje é penúria, necessidade, escassez", acrescenta o engenheiro aposentado Roberto Brum.
"O brasileiro trabalha 35, 40 anos e, quando se aposenta, em vez de receber um prêmio, recebe um castigo pelo que trabalhou", diz o metalúrgico aposentado Benedito Bozzi.
O que seu Benedito chama de castigo é a clausura em casa. Desde que se aposentou, a vida passou a ter um sabor amargo, de desilusão. "Dá um desespero. A gente fica dentro de casa, sai para a rua e não tem o que fazer lá. Volta para casa, senta no sofá, assiste à televisão e em pouco tempo sai de novo. É angustiante, ataca os nervos da gente", diz ele.
Quando relembra os 40 anos de trabalho como torneiro ferramenteiro, os olhos do aposentado se iluminam. A profissão, que exerceu com orgulho, lhe deu um bom padrão de vida, mas não foi capaz de garantir um futuro digno.
Com os R$ 3 mil que ganhava, mais os benefícios da empresa, comprou duas casas, carros e passeava nos fins de semana com a mulher e os filhos. Hoje tem que se virar com os R$ 700 da aposentadoria. Já vendeu uma casa, um carro e ainda ajuda a mãe doente.
Quando olha a primeira e a última carteira de trabalho, o ex-metalúrgico se divide entre o sonho e a desilusão. "Em uma, estão os sonhos e um futuro todo pela frente. Imaginava mil coisas. Era uma maravilha! E na outra, foi tudo por água abaixo. Quando peguei minha aposentadoria foi uma decepção total. Eu sinto vergonha de dizer quanto ganho – não de mim, mas de quem me paga", diz seu Benedito.
Joaquim Nogueira não caiu na rua da amargura. Pelo contrário. Acreano, filho de seringueiro, foi pedreiro, servente, pintor de paredes. Se formou em Direito e trabalhou 20 anos como funcionário público. De oficial de Justiça a escritor de romance policial. O sonho de aposentadoria do ex-delegado se tornou realidade. Projeto de uma vida."Eu decidi me aposentar. Saí da polícia para pagar essa aposta: me dedicar à literatura. E com a idéia de realizar o sonho de escrever e publicar um livro. Ou então, me desiludir de vez", conta ele.
Joaquim mandou os originais do primeiro livro pelo correio para uma grande editora. Uma aposta que deu certo. "Mandei, e eles gostaram. Foi emocionante o dia em que eles telefonaram para mim", lembra.
Livro publicado. Uma vitória possível graças à tranqüilidade que os R$ 6 mil da aposentadoria de servidor público puderam garantir. Apesar do sucesso, o estigma do aposentado permanece e gera uma crise de identidade. Joaquim Nogueira: escritor, advogado, delegado ou aposentado?
"Eu não tenho coragem de chegar em nenhum lugar e dizer que sou escritor. Nunca, jamais digo isso! Às vezes eu me defino como aposentado. Outras, como advogado. Conforme a circunstância. Mas não vejo motivo de orgulho para o aposentado dizer aos quatro ventos: 'Eu sou aposentado!'", comenta. "Talvez fosse conveniente que essas pessoas, antes de se aposentar, tivessem um plano para estruturar sua vida na aposentadoria".
Começar de novo. Não era bem esse o futuro que Roberto Brum imaginava. O homem que comandava o parque gráfico de um grande jornal de São Paulo hoje, aos 62 anos, passa os dias com currículo debaixo do braço procurando emprego. Lado a lado com o drama dos que não encontraram uma saída melhor.Na ficha, o atestado de uma enorme bagagem profissional. Mas isso vale muito pouco. "No fundo, no fundo, eu não deveria estar nesse mercado concorrendo com jovens. Então, eu me sinto realmente mal de estar lado a lado com eles. De certa forma, sinto que estou roubando o espaço deles. Mas acho uma coisa dramática!", diz seu Roberto.
Antes da queda, mansão com piscina, churrasqueira, seis dormitórios. Carros, viagens, jantares. Um padrão de vida bem alto. Depois da aposentadoria, seu Roberto ainda chegou a abrir um negócio, mas a trégua durou pouco. Vieram a avalanche de contas, compromissos, a vida ladeira abaixo.
Hoje, com uma pensão de R$ 1,8 mil da Previdência, mora numa casa menor e tem que contar com a ajuda da mulher e dos filhos. Um cotidiano de expectativa e desilusão.
"Ele e minha mãe sempre trabalharam para conseguir comprar a casa, conseguir tudo o que a gente teve ou ainda tem. Mas eu fico preocupada com o emocional dele", diz a jornalista Juliana Brum, filha de seu Roberto.
"Eu acredito que ele está um pouco mais irritadiço. Acho que ele nem percebeu ainda, mas está mais recluso", comenta a esposa de seu Roberto, Lucineide Brum.
"Não diria que fiquei deprimido, quase. Não que eu fique esperando cair um pote de ouro na minha cabeça. Eu me seguro, oro, e a espiritualidade me ajuda a caminhar para esse lado", conta seu Roberto.
"Eu não diria que tenho medo da aposentadoria. Diria preocupação. Acho que eu vou planejar minha vida de uma maneira muito diferente. Hoje, com 25 anos, estou pensando nisso. Acho que aprender com os erros dos pais é uma lição importante", diz a publicitária Ana Cláudia Schmidt, filha de seu Roberto.
O que deveria ser um período de merecido descanso depois de tantos anos de trabalho, vira angústia, depressão, estresse. A queda no poder aquisitivo, o empobrecimento da família e a dificuldade de encontrar uma alternativa que preencha o tempo livre levam muitos aposentados para os hospitais.
Paciência obrigatória diante da fila interminável. Uma multidão de corações doentes. Gente afastada do sonho. O tempo parou onde eles não queriam. No Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, aposentados procuram recuperar a saúde que a decepção levou embora.
Aos 65 anos, seu Lázaro de Lima tem que enfrentar 12 horas de viagem todo mês. São quase 800 quilômetros desde Umuarama, no Paraná, até o centro da capital paulista. Tudo para passar por uma série de exames no coração. Ele tem duas pontes de safena.Quando trabalhou, fez de tudo – foi piloto de avião, radiotelegrafista, gerente de loja, consertou máquina de escrever e até computador. Mas sofreu um infarto e se aposentou.
"Quando parei de trabalhar, ganhava em média R$ 8 mil por mês. Hoje eu recebo uma 'superaposentadoria' de R$ 430. Minha vida virou de ponta cabeça", conta seu Lázaro.
Sem trabalho, as únicas atividades de seu Lázaro são viajar e enfrentar fila para buscar remédio de graça. Se fosse comprar, pagaria o dobro do valor da aposentadoria.
"Tomo 22 comprimidos por dia: para diabetes, coronárias, colesterol, triglicerídeos...", revela o aposentado. A sacola que seu Lázaro leva para casa não carrega presentes. O que, nesta época do ano, só aumenta a angústia.
"Eu tenho quatro netos. O Natal está chegando, e eu não tenho condição de comprar presente para nenhum deles. Não dá mesmo. Passa aniversário, Páscoa, Dia das Crianças, e a gente não dá mais nada", lamenta a dona de casa Leila de Lima.
"Na verdade, hoje já não passa mais nada na minha cabeça. Você não tem direito nem de sonhar. A aposentadoria virou um pesadelo!", diz seu Lázaro.
Quando a saúde está preservada, a motivação em dia, e surge uma oportunidade, alguns aposentados conseguem transformar a necessidade de continuar trabalhando num prazer.
Dona Letícia Alves trabalha desde os 13 anos. Hoje, aos 65, é funcionária de uma rede de restaurantes. Ela chegou do Ceará com a determinação de vencer. Trabalhou 20 anos num banco e conseguiu chegar a um cargo de direção. Se aposentou, mas continua esbanjando energia. Arruma a casa, lava louça, cuida da netinha. Atividades que fez questão de manter. Mas ainda era pouco para ela."Eu senti um vazio, a necessidade de ter uma atividade, um horário para cumprir, de ser útil, de mostrar a capacidade que eu sempre tive, minha dedicação, meu esforço", conta dona Letícia.
De casa para o trabalho, uma longa caminhada. Viagem de metrô. E quatro horas atendendo aos clientes. Sempre de pé.
"Eu me sinto uma menina. Eu me atualizo com os jovens, dou conselho para meus netos. Eu me sinto igual a eles, não acho diferença. A diferença é só dos anos acumulados. E quando eles são bem vividos, é uma diferença positiva", ressalta dona Letícia.
Nem mesmo quando lembra as dificuldades vividas pelos colegas aposentados dona Letícia perde a esperança.
"É só procurar se atualizar que encontra o lugar adequado, como eu encontrei. Ficar parado não dá! Nunca deu! Só dá tristeza, melancolia, até um pouco de revolta. E isso faz muito mal para o aposentado", conclui dona Letícia.


Fonte: http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-8994-4-138862,00.html