Experientes levam vantagem nos negócios
Para o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), empresários tardios contam até com algumas vantagens competitivas em relação aos mais novos: possuem experiência e maturidade. De modo geral, conseguem lidar com os desafios e problemas de uma maneira mais equilibrada, além de costumarem planejar mais.
Passar de empregado a patrão depois de décadas também exige certos cuidados. Empreender é muito mais do que substituir o ócio por uma distração.
A professora do programa de pós-graduação em psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fátima Santos também faz algumas alertas. As empresas, claro, são pautadas pelo interesse de que os mais velhos saiam. A tentativa também é de dar outras perspectivas de vida para os que se aposenta, mas é preciso ter cuidado e não acabar caindo de novo no trabalho pesado, comenta.
De maneira geral, tem-se sempre a ideia de que é preciso trabalhar para ser reconhecido socialmente. As pessoas também podem pensar em outros projetos de vida, como viajar, descansar, ler todos os livros que sempre quis ler, mas nunca teve tempo, por exemplo, acrescenta.
Ela diz ainda que é necessário olhar todas as nuances, pois é legal que as empresas desenvolvam esse tipo de trabalho, mas a mudança existe cuidado. Afinal, trabalhar não é a única atividade importante na vida.
Fátima reforça também o quanto as perspectivas dos mais velhos mudaram. Na década de 1980, ela desenvolveu uma pesquisa na área de identidade na aposentadoria com 120 homens e mulheres. Um dos resultado foi a comprovação do quanto pendurar as chuteiras era, nesta época, algo bem problemático. Os homens, maioria esmagadora de trabalhadores na época, por possuírem uma áurea de seres reprodutores, comandantes da família, terminavam perdendo as perspectivas. Muitos adoeciam, ficavam carregando o sentimento de inutilidade ou até mesmo se negavam a deixa o emprego, relata. Já as mulheres se sentiam mais atingidas porque terminavam se restringindo ao cuidado com a casa e com os netos, observa Fátima.
Fonte: Jornal do Commercio - Recife - 10.10.2011
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