Aposentou-se? Nada de ócio
PRODUÇÃO Empresas como a Celpe e o Santander criam programas para estimular aposentados a continuar produzindo e aprendendo
Raissa Ebrahim
raissa@jc.com.br
Antigamente, se aposentar era sinônimo de passar o dia de pijama na cadeira de balanço esperando a vida passar. A realidade, influenciada pelo envelhecimento da população, no entanto, vem mudando. A preocupação em se manter produtivo está cada vez mais presente na vida dos mais velhos. E não é só no bolso que a diferença pesa: inúmeros estudos comprovam que deixar para pendurar as chuteiras mais tarde ajuda a preservar a saúde e posterga a perda de memória, por exemplo. A conjuntura tem levado, inclusive, as empresas a pensar na questão. A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), por exemplo, criou o programa Meu Momento, em que oferece aos futuros aposentados aulas de empreendedorismo, voluntariado, planejamento financeiro, previdência e motivação pessoal.
A notícia é boa para ambos os lados. Ganha a empresa, que fica bem vista pelos funcionários e ganham os funcionários, que aprendem uma ocupação depois de pedir as contas.
José Normando da Silva é um bom exemplo disso. Ele tem 55 anos, se aposentará em breve e tem como meta abrir uma loja de artesanato regional em Carpina, já de olho na Copa de 2014. Normando já recebeu dicas de como empreender. O próximo passo será montar um plano de negócios. De imediato, irei investir na minha ocupação, para não ficar no ócio, mas isso também me ajudará a ter uma renda extra. Comecei a trabalhar na Celpe em 1974 como eletricista. Depois de alguns anos, passei para o cargo de agente administrativo, onde estou até hoje, conta.
A boa fase teve ecos também no relacionamento dele com a esposa. Ela já pensa em se aposentar daqui a quatro ou cinco anos para se dedicar à loja junto comigo, diz.
O objetivo do programa, explica o superintendente de gestão de pessoas da companhia, Bruno Coelho, é justamente desmistificar a ideia de que a aposentadoria é o fim da vida. A aposentadoria era um paradigma, por mais que se chegue a ela, ninguém nunca está 100% preparado, geralmente há um grande receio em sair e não ter perspectivas para o terceiro momento, comenta.
Na opinião da idealizadora da iniciativa, também presente nas distribuidoras Coelba (BA) e Cosern (RN), a diretora de gestão de pessoas do Grupo Neoenergia, Lady Morais, o programa é uma forma de retribuição aos funcionários. O aumento de faixa etária dos empregados também foi um dos motores para o surgimento da iniciativa, complementa Coelho.
Quem já tinha um certo conhecimento ou desejava seguir uma segunda carreira também está enxergando novas perspectivas. José Nilson da Silva trabalhou na Celpe por 32 anos. Hoje, ele trabalha como massoterapeuta prestando serviço como autônomo. Eu já possuía formação na área e, quando me aposentei, decidi intensificar, através das dicas que recebi, explica. Agora continuo na atividade, montando meus próprios horários, trabalhando para mim sem estresse, comemora.
O curso termina com uma grande formatura, uma forma de a empresa mostrar o valor do funcionário e agradecer pelo tempo de serviço. Já foram formadas três turmas de cerca de 30 alunos este ano.
Algumas instituições, como o banco Santander, já investem em ações semelhantes há algum tempo, com foco não só para o quadro de pessoal próprio, mas aberto a todos os brasileiros com mais de 60 anos. O programa Talentos da Maturidade promove anualmente um concurso de talentos. São cinco categorias: artes plásticas, fotografia, literatura, música vocal, programas exemplares (espaço para iniciativas que valorizam a experiência e maturidade). Para a instituição, a ação é uma forma de valorizar quem não está mais no mercado.
Fonte: Jornal do Commercio - Recife - 10.10.2011
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