quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Professora nota mil


Professora nota mil
Encontre esta matéria em:[Imprimir]
http://grep.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-8994-4-138864,00.html
Aos 79 anos, ela é poderosa. "Acho horrível quando me pedem para levantar a perninha, o bracinho. Eu não sou nenê - sou um adulto", ressalta a gerontóloga Nara Rodrigues. Determinada que é, também não gosta de cerimônia. "Não me chame de senhora. Me chame de Nara, de você, de tu", diz ela.Num país com 20 milhões de aposentados, Nara é quase uma exceção. Não se conformou com os limites impostos pelo tempo e a idade e decidiu ser dona do seu futuro. Não abriu mão da independência nem de uma vida ativa.
Nara não pára nunca. Lê as noticias do dia, responde e-mails e acerta o cardápio com Edith, a aposentada de 67 anos que ajuda nas tarefas do dia-a-dia. "A Edith é mulher faz-tudo!", ressalta a patroa.
Mas a manhã só fica completa quando fala com a filha. Mesmo aos 61 anos, Jaura, que mora em Brasília, ainda tem conselhos para ouvir da mãe. E dar conselhos é uma das tarefas mais importantes na vida de Nara. A jornada começa com visitas a bairros carentes de Porto Alegre. Ela trabalha como voluntária em associações e centros de assistência. É tratada como autoridade.
A preocupação dela é ajudar as pessoas a se preparar melhor para uma fase muito especial da vida. "O fato de me aposentar não significa que a minha vida terminou. Aposentadoria nos afasta da vida do trabalho, mas a vida da gente continua", anuncia aos espectadores.
A aposentadoria é como uma encruzilhada. Começa um novo período, como muitos na vida. Dependendo do caminho que se escolhe, pode ser de tristeza e melancolia ou alegre e cheio de surpresas. Aposentados felizes garantem que a escolha vai depender daquilo que foi planejado muito antes de chegar lá.
Nara sempre fez planos. Se aposentou como assistente social em 1977, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. Foi para a França se especializar em gerontologia, que estuda o processo do envelhecimento. Em 1989, ano em que o país voltou a ter eleição direta para presidente, fez mestrado na Espanha. Tinha 64 anos.
Para ela, a idade é muito mais uma questão de estado de espírito. Tanto é que a energia de Nara faz com que ela se sinta mais uma entre seus jovens alunos do curso de medicina. A gerontóloga conta como se sente um velho. E questiona: os médicos sabem tratá-lo?
"A aula dela não se encontra em literatura nenhuma, em livro nenhum. Cada aula é única", comenta Aníbal Nogueira, aluno de Nara.
Experiências únicas que Nara está transformando em livro. Uma obra em parceria com o geriatra Newton Terra, que trata dela há mais de 20 anos.
"Nara é o exemplo de um envelhecimento bem-sucedido. Aquela pessoa que está envelhecendo social e intelectualmente ativa, com uma atividade laboral, uma saúde física e mental boas", avalia o médico.
Através das páginas ela quer dar um recado: o segredo da aposentadoria feliz é não ficar parado. "Faça em função da sua saúde mental para não se deprimir nem ficar solitário", aconselha.
Os olhos não escondem os sinais do tempo, mas é só reparar no jeitinho que ela anda – passos firmes – para ter certeza: lá vai Nara, sempre em frente, curiosa para descobrir mais sobre a vida.


Fonte:

http://grep.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-8994-4-138864,00.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário